A cruz dos inocentes e o cálice da eternidade

Queridos Irmãos e Irmãs da Soberana Ordem Templária Internacional, muitos corações piedosos perguntam-se em silêncio: "Por que o Altíssimo, em Sua bondade infinita, permite que os justos sofram, que os inocentes chorem, que as almas puras enfrentem provações tão severas?". Esta questão, tão antiga quanto a própria humanidade, não é apenas um dilema filosófico, mas um chamado espiritual, uma chave de acesso ao entendimento mais elevado dos desígnios de Deus.
Antes de refletirmos mais profundamente sobre essa temática, observemos o que está escrito em Romanos 8:18: "Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Essa passagem deixa claro que o sofrimento do justo não representa o fim, mas sim uma preparação para a glória eterna. Do mesmo modo, em 1 Pedro 4:12-13 lemos: "Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos, na medida em que sois participantes das aflições de Cristo, para que também, na revelação da sua glória, vos regozijeis e alegreis." Aqui percebemos que o sofrimento do cristão não é em vão, mas constitui uma verdadeira participação no mistério de Cristo.
O sofrimento não é, como muitos pensam, o abandono de Deus, mas antes a escola do espírito. Nele, a alma se lapida como a pedra bruta diante do cinzel; nele, o coração aprende a amar sem medida, mesmo quando a vida parece negar toda lógica. O ouro é provado no fogo, e as almas escolhidas são purificadas nas chamas da adversidade, para que possam refletir a Luz divina com maior intensidade.
As dores que recaem sobre os bons não são punições, mas missões. Muitas vezes, aquele que sofre é o portador silencioso de uma luz que não se vê, mas que sustenta outros à distância. O mártir, o santo, o justo perseguido, tornam-se pontes invisíveis entre o Céu e a Terra, oferecendo suas lágrimas como orações que intercedem por aqueles que não sabem rezar.
Além disso, há um mistério ainda mais profundo: a dor é um espelho do Cristo. Aquele que é inocente e sofre caminha nas pegadas do Senhor, que sendo puro, carregou a cruz da humanidade inteira. Quando uma alma justa sofre, participa da Paixão e se une ao Mistério Redentor, não apenas para si mesma, mas para todo o corpo místico da criação.
Deus permite o sofrimento dos justos não por ausência, mas por confiança. Ele os convida a uma intimidade mais profunda com a Sua Vontade. Aquilo que aos olhos do mundo pode parecer injusto é, na verdade, o fio invisível da Providência tecendo a tapeçaria da eternidade. O cálice amargo, quando aceito com fé, converte-se em vinho de imortalidade. Em João 16:33 lemos: "No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." Nesse versículo, Jesus confirma que até os bons enfrentarão tribulações, mas assegura que a vitória definitiva se encontra n'Ele.
Eis, portanto, a resposta que ressoa nos arcanos do coração: o sofrimento dos bons não é o silêncio de Deus, mas Sua linguagem mais alta, a revelação de que até nas trevas floresce a luz, e que só quem prova a noite pode anunciar com verdade a aurora. Meditemos sobre estas palavras...
Fr. Luiz Heleno T. Chaves